[Cotidiano]
Nômades da Noite ....
No verão, no inverno, sozinho, acompanhado duas, três vezs por semana eles estão lá- os nômades da noite - nesse território cotidiano urbano noturno a definição de tempo perde lugar para a de espaço.
Existiria território mais neutro e democrático que a noite?
Durante o dia o tempo passa, os relógios denunciam a falta de tempo, o é tempo escasso, em fim o tempo perturba o tempo todo. Na noite a contagem para e quem parte para night reitera esses aspectos de se unirem pela centelha do mero “estar juntos”, sem necessariamente compartilharem os mesmos valores, mas um mesmo território-espaço
Guerreiros da Noite- "nomadismo urbano"A noite encarada como espaço e não mais unicamente como tempo é solo urbano de uma geração que quer ficar, dar um tempo. Segundo pesquisas que deram origem ao livro Noites Nômades (Editora Rocco), escrito por Maria Isabel Mendes de Almeida -Departamento de Sociologia e Política, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro com a colaboração de Kátia Maria de Almeida Tracy, A nigght urbana, transformada numa categoria fundamentalmente espacial ganha- "Ilhas de cimento": de luzes , música e bebidas .
Inscrito em um novo registro- o circuito noturno envolve lugares os mais distintos, como boates, shoppings, cinemas, lojas de conveniência e
lanchonetes situadas em postos de gasolina , abertos durante toda a madrugada.Um mapa que inclui ainda fragmentos inusitados do espaço urbano estrategicamente localizados em vias de circulação: a ‘porta de lugares , escadarias, trecho de ruas - guetos da noite habitados por uma população diversificada, gerações que se encontram no território da NOITE -normalmente inseridos no circuito de diversão. Todos estão na NIGHT- Freqüentam festas ‘badaladas’ e boates da moda, cruzamos a cidade em busca do melhor programa, circulam pelos , bares e shows- são nômades do território da noite, em" busca da batida perfeita". A mobilidade tornou-se, assim, o traço distintivo da ocupação da cidade à noite.É preciso ‘estar lá’ para saber o que é. Na porta da boate, na pista de dança, na área correspondente à divisa desta com o limiar das mesas, ir aos banheiros, nas escadas, nos corredores, e perceber que tudo isso é redimensionado em torno do movimento de circulação. No cotidiano noturno eles querem é passar pela night, "zoar"- ‘Zoar’ é intervir no espaço, sempre em grupo. Não existe ‘zoação’ solitária, pois os pontos da night são atravessados em conjunto. ‘Zoar de’ só faz sentido se for para ‘zoar com’.
“O primeiro beijo é sempre o último.” Numa nova rotina na prática do ‘ficar’ ao longo da night. ‘Ficar’ é essencialmente beijar; beijar em série, beijar muito. Você chega em alguém, ele(a) já sabe o que você quer, entendeu? explicam os nômades É meio assim: você gostou de mim, eu também gostei, vamos ficar. Sabe qual é? É aquela parada, eu pergunto o nome, nem escuto o nome .Se escutar, esquece. Então fica assim, ficar só por ficar, sacou?”Sugestões para leituras noturna ;
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro,Jorge Zahar Editor,2001.
DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix.‘1227 – Tratado de nomadologia: a máquina de guerra'. In: Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 5. Rio de Janeiro,Editora 34,1997, pp. 11-110.
SARLO, Beatriz. Cenas da vida pós-moderna:intelectuais, arte e videocultura na Argentina.Rio de Janeiro, Editora UFRJ, 2000.
VIRILIO, Paul. O espaço crítico e as perspectivas do tempo real. Rio de Janeiro,Editora 34, 1993.
MAFFESOLI, Michel.No fundo das aparências. Petrópolis, Vozes, 1996.